07/05/2006 19:36
O talento por trás das estatísticas
O domingão dos playoffs começou com dois belos jogos e um duelo particular. San Antonio e Detroit saíram na frente e abriram 1-0 em suas séries. Até aí, nada tenho a questionar: são os dois times de melhor campanha na fase regular, finalistas nas duas últimas temporadas e, de quebra, abrem os confrontos jogando em casa. Esforços coletivos à parte, vamos então ao microcosmo.
A imprensa americana anunciou hoje que o prêmio de maior defensor do ano já é de Ben Wallace. O título ainda não é oficial, mas a informação vem de fontes confiáveis.
Que Big Ben é um trator defensivo, ninguém discute.
O pivô o Detroit joga algo muito parecido com basquete. Não sabe arremessar, mal consegue quicar a bola duas vezes, mas costuma se transformar num monstro agressivo quando está embaixo da cesta.
E ai de quem tentar uma bandeja por ali.
O problema é que os prêmios individuais da NBA são escolhidos antes do mata-mata. E isso aumenta o risco de constrangimento nas cerimônias de entrega dos troféus.
Imaginem, por exemplo, se Tim Thomas não tivesse feito aquela cesta de três nos últimos segundos do tempo normal na sexta partida entre Suns e Lakers. Steve Nash, que recebeu hoje a estatueta de MVP, estaria de férias e teria um sorriso amarelo na cara diante das câmeras.
Graças ao esforço dos Suns - incluindo aí o próprio Nash e o brasileiro Leandrinho, fantástico no jogo 7 - tudo voltou à normalidade e o canadense conseguiu soltar o sorriso sem problemas, enquanto Kobe Bryant, a esta altura, já deve estar preparando o molinete e as minhocas para a pescaria.
No caso do melhor defensor, o risco é o mesmo. Wallace atravessou a série contra o Milwaukee destoando do quinteto titular dos Pistons. Brigou pouco no garrafão, esteve irreconhecível em algumas partidas.
No jogo 1 contra o Cleveland, ele fez apenas dois pontos, mas pegou 11 rebotes e deu quatro tocos.
Não dá para comparar, no entanto, com a performance extraordinária do carrapato Bruce Bowen, algumas horas antes, no Texas.
O problema é que o talento de Bowen não aparece nos números ou na tábua de estatísticas.
O ala dos Spurs grudou em Dirk Nowitzki e transformou o melhor jogador do primeiro round num atleta medíocre - ao menos por uma tarde. O alemão foi limitado aos 20 pontos e acertou apenas oito de 20 arremessos.
De quebra, sem nenhuma obrigação nesse sentido, Bowen ainda fez a cesta da vitória, a dois minutos do fim.
Pois é, meu caro, é isso mesmo: a cesta da vitória saiu a dois minutos do fim da partida! Acredite se quiser.
Esse foi o domingo de estréia nas semifinais de conferência. Amanhã tem mais, com Heat x Nets e Suns x Clippers.
[Rodrigo Alves]
O domingão dos playoffs começou com dois belos jogos e um duelo particular. San Antonio e Detroit saíram na frente e abriram 1-0 em suas séries. Até aí, nada tenho a questionar: são os dois times de melhor campanha na fase regular, finalistas nas duas últimas temporadas e, de quebra, abrem os confrontos jogando em casa. Esforços coletivos à parte, vamos então ao microcosmo.A imprensa americana anunciou hoje que o prêmio de maior defensor do ano já é de Ben Wallace. O título ainda não é oficial, mas a informação vem de fontes confiáveis.
Que Big Ben é um trator defensivo, ninguém discute.
O pivô o Detroit joga algo muito parecido com basquete. Não sabe arremessar, mal consegue quicar a bola duas vezes, mas costuma se transformar num monstro agressivo quando está embaixo da cesta.
E ai de quem tentar uma bandeja por ali.
O problema é que os prêmios individuais da NBA são escolhidos antes do mata-mata. E isso aumenta o risco de constrangimento nas cerimônias de entrega dos troféus.
Imaginem, por exemplo, se Tim Thomas não tivesse feito aquela cesta de três nos últimos segundos do tempo normal na sexta partida entre Suns e Lakers. Steve Nash, que recebeu hoje a estatueta de MVP, estaria de férias e teria um sorriso amarelo na cara diante das câmeras.
Graças ao esforço dos Suns - incluindo aí o próprio Nash e o brasileiro Leandrinho, fantástico no jogo 7 - tudo voltou à normalidade e o canadense conseguiu soltar o sorriso sem problemas, enquanto Kobe Bryant, a esta altura, já deve estar preparando o molinete e as minhocas para a pescaria.
No caso do melhor defensor, o risco é o mesmo. Wallace atravessou a série contra o Milwaukee destoando do quinteto titular dos Pistons. Brigou pouco no garrafão, esteve irreconhecível em algumas partidas.
No jogo 1 contra o Cleveland, ele fez apenas dois pontos, mas pegou 11 rebotes e deu quatro tocos.
Não dá para comparar, no entanto, com a performance extraordinária do carrapato Bruce Bowen, algumas horas antes, no Texas.
O problema é que o talento de Bowen não aparece nos números ou na tábua de estatísticas.
O ala dos Spurs grudou em Dirk Nowitzki e transformou o melhor jogador do primeiro round num atleta medíocre - ao menos por uma tarde. O alemão foi limitado aos 20 pontos e acertou apenas oito de 20 arremessos.
De quebra, sem nenhuma obrigação nesse sentido, Bowen ainda fez a cesta da vitória, a dois minutos do fim.
Pois é, meu caro, é isso mesmo: a cesta da vitória saiu a dois minutos do fim da partida! Acredite se quiser.
Esse foi o domingo de estréia nas semifinais de conferência. Amanhã tem mais, com Heat x Nets e Suns x Clippers.
[Rodrigo Alves]
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