10/05/2006 14:40
Rápido no gatilho
Todo faroeste americano que se preza termina com aquela famosa cena entre o bandido e o mocinho na rua principal do vilarejo; com os dois frente a frente para o duelo final. É a hora da verdade.
A série de playoff entre as duas melhores equipes de basquete do Texas vai se encaixando no melhor estilo de roteiro hollywoodiano, e o cenário árido e quente de San Antonio não poderia ter sido mais propício para os primeiros duelos.
Se tivesse que apontar um vencedor até agora – um mocinho – como normalmente é a escolha final do diretor, daria a estrela de xerife para o Avery Johnson. Apesar de não ser o homem que aperta o gatilho no meio da rua empoeirada do filme, é quem ensina como ler os trejeitos do adversário para se tirar proveito de um pequeno descuido.
Ontem foi assim.
O “pequeno general” soube confundir o sempre confiante Spurs com algumas alterações táticas. A primeira foi a entrada de Devin Harris como titular. Johnson apostou na agressividade e velocidade do armador de 23 anos para explorar um eventual mano a mano com Tony Parker. O francês, que é sempre o ponto de equilíbrio de sua equipe, jogava no sacrifício e dependeria de ajuda na marcação.
A ajuda viria na forma de ninguém mais, ninguém menos, que Bruce Bowen, um dos melhores marcadores da liga; e Manu Ginobili, o representante da famosa garra argentina. O técnico Gregg Popovich não deveria ter com o que se preocupar, certo?
Errado.
Deu certo no início. Só no início. Aliás, durante exatos 12 segundos, pois logo após o lance livre convertido por Tim Duncan, o Mavericks tomou conta do jogo.
E foi assim até o fim.
Ginobili não estava em uma noite inspirada, e isso pesou muito a favor do Mavericks. O argentino é fenomenal, mas ainda não apareceu nesses playoffs. O peso todo acabou caindo nos ombros de Bowen e alguns reservas, como o exasperado Van Exel, que durou pouco tempo em quadra, expulso com propriedade por Steve Javie.
Isso foi mais que suficiente para Josh Howard ter caminho livre, encontrar seu ritmo de jogo e, fundamentalmente, deixar Nowitzki se concentrar em Duncan sem ter a obrigação de contribuir ofensivamente.
E quando a engrenagem não está azeitada, a marcha não entra; a retomada de velocidade demora; o carro vira uma carroça e as reclamações começam a aparecer.
A porta estava aberta para o empate na série.
Só restou culpar o pobre do Steve Javie - árbitro de ontem – que recebeu o pior dos xingamentos: em coro uníssono, a torcida o chamou de Edílson, Edílson, Edílson.
[Roby Porto]
Todo faroeste americano que se preza termina com aquela famosa cena entre o bandido e o mocinho na rua principal do vilarejo; com os dois frente a frente para o duelo final. É a hora da verdade. A série de playoff entre as duas melhores equipes de basquete do Texas vai se encaixando no melhor estilo de roteiro hollywoodiano, e o cenário árido e quente de San Antonio não poderia ter sido mais propício para os primeiros duelos.
Se tivesse que apontar um vencedor até agora – um mocinho – como normalmente é a escolha final do diretor, daria a estrela de xerife para o Avery Johnson. Apesar de não ser o homem que aperta o gatilho no meio da rua empoeirada do filme, é quem ensina como ler os trejeitos do adversário para se tirar proveito de um pequeno descuido.
Ontem foi assim.
O “pequeno general” soube confundir o sempre confiante Spurs com algumas alterações táticas. A primeira foi a entrada de Devin Harris como titular. Johnson apostou na agressividade e velocidade do armador de 23 anos para explorar um eventual mano a mano com Tony Parker. O francês, que é sempre o ponto de equilíbrio de sua equipe, jogava no sacrifício e dependeria de ajuda na marcação.
A ajuda viria na forma de ninguém mais, ninguém menos, que Bruce Bowen, um dos melhores marcadores da liga; e Manu Ginobili, o representante da famosa garra argentina. O técnico Gregg Popovich não deveria ter com o que se preocupar, certo?
Errado.
Deu certo no início. Só no início. Aliás, durante exatos 12 segundos, pois logo após o lance livre convertido por Tim Duncan, o Mavericks tomou conta do jogo.
E foi assim até o fim.
Ginobili não estava em uma noite inspirada, e isso pesou muito a favor do Mavericks. O argentino é fenomenal, mas ainda não apareceu nesses playoffs. O peso todo acabou caindo nos ombros de Bowen e alguns reservas, como o exasperado Van Exel, que durou pouco tempo em quadra, expulso com propriedade por Steve Javie.
Isso foi mais que suficiente para Josh Howard ter caminho livre, encontrar seu ritmo de jogo e, fundamentalmente, deixar Nowitzki se concentrar em Duncan sem ter a obrigação de contribuir ofensivamente.
E quando a engrenagem não está azeitada, a marcha não entra; a retomada de velocidade demora; o carro vira uma carroça e as reclamações começam a aparecer.
A porta estava aberta para o empate na série.
Só restou culpar o pobre do Steve Javie - árbitro de ontem – que recebeu o pior dos xingamentos: em coro uníssono, a torcida o chamou de Edílson, Edílson, Edílson.
[Roby Porto]
postado por GloboEsporte.com | Comentários:

Quem vem acompanhando as transmissões da Globo.com e tem boa memória talvez se lembre de um jogo do Detroit Pistons na fase regular, quando um moleque sem camisa chamou a atenção das câmeras ao executar uma dancinha bizarra no meio da torcida. Haja memória, né.
