29/05/2006 16:27
Segura que lá vai tijolo
A mecânica do chute é uma beleza. Mãos gigantescas fazem aquela esfera laranja parecer uma bolinha de tênis. Os dedos meio tortos não conseguem sequer manter o arremesso na direção certa. O resultado, na maioria das vezes, é uma bela tijolada castigando o aro.
Na linha de lances livres, Shaquille O´Neal costuma elevar à máxima potência adjetivos como grosso, pereba e brucutu.
Diante disso, espalhou-se na NBA a prática Hack-a-Shaq, que consiste em cometer faltas fora do lance para forçar arremessos (e erros) do pivô nos minutos finais. Quando a estratégia dá certo, é como se o time infrator fizesse uma falta e, em vez de ser punido, simplesmente recuperasse a posse de bola em momentos importantes do último quarto.
O´Neal, por sinal, melhorou um bocado seu aproveitamento ao longo dos últimos anos, e o artifício tornou-se mais raro nas quadras americanas.
Até que, na final do Leste, o técnico do próprio Shaquille tirou a tática da cartola. Pat Riley adaptou o conceito usado contra o seu pupilo e criou o Hack-a-Ben.
Foi assim no quarto período do jogo 3. O Detroit traz a bola para o ataque e, quando Big Ben Wallace passa do meio da quadra, lá está um peão do Miami para fazer a falta. O pivô vai à linha de lances livres, manda dois petardos na tabela, e o Heat ganha uma posse novinha em folha.
Somadas as duas primeiras partidas da série, Wallace foi à marca fatal quatro vezes. No terceiro duelo, a instrução da prancheta de Riley fez o número pular para 10.
No total do confronto, foram apenas três acertos.
Após o jogo de sábado, na entrevista coletiva, o técnico disse que desaprova a prática da falta intencional e espera que a NBA encontre um jeito de varrê-la das quadras a partir da próxima temporada.
Quando perguntado se vai repetir a estratégia na noite desta segunda-feira, o professor do Miami... er.. bem... hum... pero que si... pero que no... vamos avaliar...
Ora, caro Riley, pare de jogar para a platéia.
Se for contra, não use. Se usar, não critique.
Não sei o que o Roby Porto e os amigos leitores do blog pensam, mas eu acho o Hack-a-Seja-Lá-Quem-For extremamente nocivo ao basquete. É a mesma atitude dos treinadores de futebol que adotam o revezamento de faltas para estancar o jogo quando o adversário tem mais talento.
Pensando bem, é até pior. No futebol, pelo menos, o time que sofre a infração continua com a posse da bola. No basquete, os lances livres geralmente não são aproveitados e a bola vai parar no colo do infrator.
Coibir o antijogo não é coisa só para os gramados.
No sinteco dos ginásios, também tem um monte de gente querendo driblar o espetáculo.
Riley e Saunders, tomem vergonha!
[Rodrigo Alves]
A mecânica do chute é uma beleza. Mãos gigantescas fazem aquela esfera laranja parecer uma bolinha de tênis. Os dedos meio tortos não conseguem sequer manter o arremesso na direção certa. O resultado, na maioria das vezes, é uma bela tijolada castigando o aro.Na linha de lances livres, Shaquille O´Neal costuma elevar à máxima potência adjetivos como grosso, pereba e brucutu.
Diante disso, espalhou-se na NBA a prática Hack-a-Shaq, que consiste em cometer faltas fora do lance para forçar arremessos (e erros) do pivô nos minutos finais. Quando a estratégia dá certo, é como se o time infrator fizesse uma falta e, em vez de ser punido, simplesmente recuperasse a posse de bola em momentos importantes do último quarto.
O´Neal, por sinal, melhorou um bocado seu aproveitamento ao longo dos últimos anos, e o artifício tornou-se mais raro nas quadras americanas.
Até que, na final do Leste, o técnico do próprio Shaquille tirou a tática da cartola. Pat Riley adaptou o conceito usado contra o seu pupilo e criou o Hack-a-Ben.
Foi assim no quarto período do jogo 3. O Detroit traz a bola para o ataque e, quando Big Ben Wallace passa do meio da quadra, lá está um peão do Miami para fazer a falta. O pivô vai à linha de lances livres, manda dois petardos na tabela, e o Heat ganha uma posse novinha em folha.
Somadas as duas primeiras partidas da série, Wallace foi à marca fatal quatro vezes. No terceiro duelo, a instrução da prancheta de Riley fez o número pular para 10.
No total do confronto, foram apenas três acertos.
Após o jogo de sábado, na entrevista coletiva, o técnico disse que desaprova a prática da falta intencional e espera que a NBA encontre um jeito de varrê-la das quadras a partir da próxima temporada.
Quando perguntado se vai repetir a estratégia na noite desta segunda-feira, o professor do Miami... er.. bem... hum... pero que si... pero que no... vamos avaliar...
Ora, caro Riley, pare de jogar para a platéia.
Se for contra, não use. Se usar, não critique.
Não sei o que o Roby Porto e os amigos leitores do blog pensam, mas eu acho o Hack-a-Seja-Lá-Quem-For extremamente nocivo ao basquete. É a mesma atitude dos treinadores de futebol que adotam o revezamento de faltas para estancar o jogo quando o adversário tem mais talento.
Pensando bem, é até pior. No futebol, pelo menos, o time que sofre a infração continua com a posse da bola. No basquete, os lances livres geralmente não são aproveitados e a bola vai parar no colo do infrator.
Coibir o antijogo não é coisa só para os gramados.
No sinteco dos ginásios, também tem um monte de gente querendo driblar o espetáculo.
Riley e Saunders, tomem vergonha!
[Rodrigo Alves]
postado por GloboEsporte.com | Comentários:


