15/06/2007 12:11
Na final sem graça, um campeão incontestável
A NBA está cada vez mais tingida de preto e prata. Com absoluta justiça, o San Antonio Spurs levanta seu quarto caneco, o terceiro nos últimos cinco anos, com uma varrida impiedosa, indiscutível e inapelável sobre o Cleveland Cavaliers. Cá entre nós, a disputa não teve nem graça.
Do All-Star Game para cá, nenhum time jogou melhor. Em todo o playoff, ninguém teve mais consistência. Tirando o Phoenix, na melhor série de 2007, nenhum outro adversário conseguiu sequer ganhar duas partidas.
Apesar do aproveitamento ruim no jogo 4, Duncan é o MVP moral do mata-mata. Foi a peça mais importante na trajetória da equipe. Ginóbili, para variar, apareceu sempre que o time mais precisou. E Parker simplesmente botou a final no bolso. Transformou a defesa adversária em poeira e mereceu o troféu de melhor jogadora da série. Sem contar o gênio Gregg Popovich, que dispensa comentários.
Dito isso, não dá para negar que esta foi uma das piores finais da história. Não deu nem para a saída. O abismo de qualidade entre os times produziu quatro partidas chatas, em alguns momentos muito mal jogadas, com pouquíssima competição. De agradável mesmo, só as duas defesas (o que não é pouco, claro), a velocidade de Parker e o espírito guerreiro de Manu na reta final.
O caminho do Cleveland até a decisão foi muito mais fácil que o do San Antonio - Washington esfacelado, New Jersey instável e Detroit abaixo do esperado. Estou tranqüilo para escrever isso porque venho dizendo, desde a decisão da conferência Leste, que o elenco é muito limitado e os adversários na caminhada foram capengas.
O que não consigo aceitar, no entanto, é que, depois de quatro jogos, LeBron James tenha virado um enganador. Ele tem 22 anos e precisa evoluir em muitos aspectos, claro. Pegou pela frente a melhor retranca da liga e foi anulado. Falhou, sim, e precisa respeitar as críticas. Mas o que esse garoto já fez pelos Cavs (incluindo a melhor atuação individual da temporada, no jogo 5 contra os Pistons) o credencia para um futuro brilhante, não tenham dúvidas.
Da mesma forma, não dá para dizer que tudo é lixo em Ohio. Ao longo dos playoffs, méritos para a defesa de Mike Brown, para Anderson Varejão (melhor marcador do elenco) e para um ou outro lampejo dos fracos coadjuvantes.
Valeu o esforço, mas tudo isso é pouco, muito pouco, para superar o melhor time da década.
[Rodrigo Alves]
A NBA está cada vez mais tingida de preto e prata. Com absoluta justiça, o San Antonio Spurs levanta seu quarto caneco, o terceiro nos últimos cinco anos, com uma varrida impiedosa, indiscutível e inapelável sobre o Cleveland Cavaliers. Cá entre nós, a disputa não teve nem graça.Do All-Star Game para cá, nenhum time jogou melhor. Em todo o playoff, ninguém teve mais consistência. Tirando o Phoenix, na melhor série de 2007, nenhum outro adversário conseguiu sequer ganhar duas partidas.
Apesar do aproveitamento ruim no jogo 4, Duncan é o MVP moral do mata-mata. Foi a peça mais importante na trajetória da equipe. Ginóbili, para variar, apareceu sempre que o time mais precisou. E Parker simplesmente botou a final no bolso. Transformou a defesa adversária em poeira e mereceu o troféu de melhor jogadora da série. Sem contar o gênio Gregg Popovich, que dispensa comentários.
Dito isso, não dá para negar que esta foi uma das piores finais da história. Não deu nem para a saída. O abismo de qualidade entre os times produziu quatro partidas chatas, em alguns momentos muito mal jogadas, com pouquíssima competição. De agradável mesmo, só as duas defesas (o que não é pouco, claro), a velocidade de Parker e o espírito guerreiro de Manu na reta final.
O caminho do Cleveland até a decisão foi muito mais fácil que o do San Antonio - Washington esfacelado, New Jersey instável e Detroit abaixo do esperado. Estou tranqüilo para escrever isso porque venho dizendo, desde a decisão da conferência Leste, que o elenco é muito limitado e os adversários na caminhada foram capengas.
O que não consigo aceitar, no entanto, é que, depois de quatro jogos, LeBron James tenha virado um enganador. Ele tem 22 anos e precisa evoluir em muitos aspectos, claro. Pegou pela frente a melhor retranca da liga e foi anulado. Falhou, sim, e precisa respeitar as críticas. Mas o que esse garoto já fez pelos Cavs (incluindo a melhor atuação individual da temporada, no jogo 5 contra os Pistons) o credencia para um futuro brilhante, não tenham dúvidas.
Da mesma forma, não dá para dizer que tudo é lixo em Ohio. Ao longo dos playoffs, méritos para a defesa de Mike Brown, para Anderson Varejão (melhor marcador do elenco) e para um ou outro lampejo dos fracos coadjuvantes.
Valeu o esforço, mas tudo isso é pouco, muito pouco, para superar o melhor time da década.
[Rodrigo Alves]
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