07/02/2008 03:28
Steve Kerr, coitado, tão novo, já enlouqueceu...
No começo, achei que era só boato, mas tudo virou realidade em menos de 24 horas: Shaquille O`Neal agora é jogador do Phoenix Suns, em troca de Shawn Marion, que passa a formar uma dupla com Dwyane Wade no Miami Heat. Aqui no meu canto, continuo me perguntando: o que deu na cabeça do senhor Steve Kerr? Eis a questão.
Difícil entender o que motivou o cartola-calouro dos Suns. Afinal, o time tem apenas a melhor campanha do Oeste, bem no ano em que o Oeste virou uma bagunça. Dos sete primeiros colocados (Phoenix, Dallas, New Orleans, Utah, Lakers, San Antonio e Denver), rigorosamente todos apresentaram altos e baixos até agora. Ou seja: o título da conferência nunca esteve tão aberto, e a chance de Nash & Cia nunca foi tão alta.
Com a chegada de Shaq, o Phoenix implode seu esquema para construir tudo de novo. Marion era uma engrenagem crucial. Ele corre, dá sua contribuição no ataque, defende qualquer tipo de adversário e - o mais importante - pega rebotes. Mais que Amare Stoudemire. Mais que... o próprio Shaquille O`Neal, ora bolas!
Nesta temporada, Marion tem média de 9.9 rebotes por partida, enquanto O`Neal fica nos 7.8. Ah, dirá alguém, mas Shaq joga 28 minutos por noite, enquanto o bom ala do Phoenix passa dos 36. Grande coisa: a mudança não vai fazer com que o pivô jogue quase 40 minutos, a não ser que a troca inclua um par de joelhos novos.
Considerando que O`Neal se recupere da bursite no quadril e entre em forma nos próximos meses, nem assim ele vai correr com o Phoenix. Na beira de completar 36 anos, o pivô não é nem a sombra daquele jogador dominante do passado. Cada vez mais enrolado com excesso de faltas, ele não permite nem que se use o velho e surrado argumento: vão dobrar em cima do cara e vai sobrar gente livre para chutar de três. É balela. Shaq tem hoje metade das assistências-por-minuto que tinha no auge. Ou seja, até o passe, que era um de seus pontos forte, foi para o espaço.
O garrafão do Phoenix ficará mais congestionado para os adversários - mas não necessariamente forte na defesa, como todos nós queremos. Não posso crer que alguém, em sã consciência, ache que O`Neal vai anular Duncan, Bynum, Gasol ou Boozer numa série de playoffs. E o pior: sem Marion, o esquema defensivo se torna ainda mais fraco.
De quebra, Nash perde boa parte do seu poder de fogo com um pivozão estático embaixo da cesta. O canadense precisa de espaço - para ele e para os companheiros que se movimentam o tempo todo. Outra: sem Banks no elenco, Leandrinho será cada vez mais usado como reserva de Nash - tarefa que o brasileiro ainda não sabe cumprir direito.
De bom mesmo, talvez o fato de Stoudemire jogar na posição 4, mais solto - tanto que o próprio Amare falou com Shaq e aprovou a contratação. Ah, sim: a venda de camisetas do Phoenix aumentará um bocado...
Não há dúvidas de que o garrafão precisava se fortalecer e o número de rebotes precisava aumentar. Mas isso não se resolve num piscar de olhos. Se não houver um verdadeiro milagre (desses que a NBA adora criar, diga-se), Steve Kerr vai começar sua carreira de dirigente rotulado como o homem que mandou pelos ares o projeto de título do Phoenix Suns. Boa sorte a ele.
Já vi, pela última caixinha, que muita gente vai discordar de mim. Ótimo. Vão dizer também que eu detesto o Shaq. Tudo bem. O debate é sempre bem-vindo. Então vamos a ele, porque o assunto é quente! Abraços a todos!
[Rodrigo Alves]
No começo, achei que era só boato, mas tudo virou realidade em menos de 24 horas: Shaquille O`Neal agora é jogador do Phoenix Suns, em troca de Shawn Marion, que passa a formar uma dupla com Dwyane Wade no Miami Heat. Aqui no meu canto, continuo me perguntando: o que deu na cabeça do senhor Steve Kerr? Eis a questão.Difícil entender o que motivou o cartola-calouro dos Suns. Afinal, o time tem apenas a melhor campanha do Oeste, bem no ano em que o Oeste virou uma bagunça. Dos sete primeiros colocados (Phoenix, Dallas, New Orleans, Utah, Lakers, San Antonio e Denver), rigorosamente todos apresentaram altos e baixos até agora. Ou seja: o título da conferência nunca esteve tão aberto, e a chance de Nash & Cia nunca foi tão alta.
Com a chegada de Shaq, o Phoenix implode seu esquema para construir tudo de novo. Marion era uma engrenagem crucial. Ele corre, dá sua contribuição no ataque, defende qualquer tipo de adversário e - o mais importante - pega rebotes. Mais que Amare Stoudemire. Mais que... o próprio Shaquille O`Neal, ora bolas!
Nesta temporada, Marion tem média de 9.9 rebotes por partida, enquanto O`Neal fica nos 7.8. Ah, dirá alguém, mas Shaq joga 28 minutos por noite, enquanto o bom ala do Phoenix passa dos 36. Grande coisa: a mudança não vai fazer com que o pivô jogue quase 40 minutos, a não ser que a troca inclua um par de joelhos novos.
Considerando que O`Neal se recupere da bursite no quadril e entre em forma nos próximos meses, nem assim ele vai correr com o Phoenix. Na beira de completar 36 anos, o pivô não é nem a sombra daquele jogador dominante do passado. Cada vez mais enrolado com excesso de faltas, ele não permite nem que se use o velho e surrado argumento: vão dobrar em cima do cara e vai sobrar gente livre para chutar de três. É balela. Shaq tem hoje metade das assistências-por-minuto que tinha no auge. Ou seja, até o passe, que era um de seus pontos forte, foi para o espaço.O garrafão do Phoenix ficará mais congestionado para os adversários - mas não necessariamente forte na defesa, como todos nós queremos. Não posso crer que alguém, em sã consciência, ache que O`Neal vai anular Duncan, Bynum, Gasol ou Boozer numa série de playoffs. E o pior: sem Marion, o esquema defensivo se torna ainda mais fraco.
De quebra, Nash perde boa parte do seu poder de fogo com um pivozão estático embaixo da cesta. O canadense precisa de espaço - para ele e para os companheiros que se movimentam o tempo todo. Outra: sem Banks no elenco, Leandrinho será cada vez mais usado como reserva de Nash - tarefa que o brasileiro ainda não sabe cumprir direito.
De bom mesmo, talvez o fato de Stoudemire jogar na posição 4, mais solto - tanto que o próprio Amare falou com Shaq e aprovou a contratação. Ah, sim: a venda de camisetas do Phoenix aumentará um bocado...
Não há dúvidas de que o garrafão precisava se fortalecer e o número de rebotes precisava aumentar. Mas isso não se resolve num piscar de olhos. Se não houver um verdadeiro milagre (desses que a NBA adora criar, diga-se), Steve Kerr vai começar sua carreira de dirigente rotulado como o homem que mandou pelos ares o projeto de título do Phoenix Suns. Boa sorte a ele.
Já vi, pela última caixinha, que muita gente vai discordar de mim. Ótimo. Vão dizer também que eu detesto o Shaq. Tudo bem. O debate é sempre bem-vindo. Então vamos a ele, porque o assunto é quente! Abraços a todos!
[Rodrigo Alves]
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